2016: Imagina na Olimpíada.

Londres 2012 acabou naquele clima de Globo de Ouro trabalhado em muito dinheiro e com doses extras de Botox. E algumas perguntas ficaram no ar: como serão as festas de abertura e encerramento da Rio 2016? Que delegação musical brasileira pretendemos colocar para derrotar aquele final épico com o The Who? E a mais importante: se o Van Halen tocasse “Jump”, a Fabiana Murer pularia ou culparia o vento?

Sejamos sinceros, tirando alguns esportes, nossas chances de medalha não são das maiores. Artur Zanetti, por exemplo, tem 1,56. E a Sarah Menezes, 1, 54… Temos o judô, o vôlei, a prata do futebol e aquele iatismo popular e moleque jogado por sobrenomes bem brasileiros como Scheidt e Grael. O hipismo, um esporte praticado nas ruas de todo Brasil, teria alguma chance. Mas como bem lembrou um dos atletas (de duas patas, no caso), “a cultura do Brasil é voltada para o cachorro. Enquanto, na Europa todo mundo tem um cavalo.” Desculpa esfarrapada, infelizmente, não é uma modalidade.

Sendo assim, enquanto o governo diz que está tudo certo e os atletas ficam à margem e só serão lembrados na véspera, restam as festas. Aqui está a nossa grande chance de brilhar. E tenho uma proposta: se todo atleta tem que atingir um determinado índice para ter o direito de entrar nos Jogos Olímpicos, nada mais justo do que exigir o mesmo das atrações musicais. Para garantir o nosso êxito, sugiro algumas normas.

Todo o estilo musical terminado em “ejo” está automaticamente impedido de participar da Rio 2016. Sertanejo, Pagonejo, Funknejo e Molejo, portanto, estão fora. Ritmos com a palavra “univesitário” agregada ao nome também ficam na porta. Seja ele sertanejo (para garantir), pagode ou pagode.

Letras dobradas no nome eliminam o atleta. Exemplos aleatórios: Gusttavo Lima e Claudia Leitte. O duplo “t” pode trazer sorte, dinheiro e bonança pela numerologia. Mas as regras aqui são outras. E duplicar a letra desnecessariamente é doping de mau gosto musical.

O índice de rimas, inspirado em trabalho do jornalista Gustavo Martins, definirá boa parte da festa. Após um longo estudo feito entre 2001 e 2005, o repórter concluiu que as rimas mais executadas no Brasil são: assim/mim, coração/paixão, dizer/você, fim/mim, esquecer/você e coração/solidão. Um bom critério, portanto, seria cortar sumariamente todo músico que já tenha abusado dessas rimas. Como o estudo terminou em 2005, gostaria de acrescentar a rima acreditar/amar. Para garantir que o Luan Santana não adentre o recinto.

Axé, funk e mamilos são assuntos polêmicos. O axé pode ser eliminado no critério rima. Ou no critério cidade natal de criação. Mas para garantir, sugiro a utilização do índice de repetição de vogais. Ou das dancinhas. Repetiu vogal demais? Fora. Tem uma coreografia? Fora. Isso derruba de uma só tacada o axé e o kuduro, ainda que eu acredite que até lá esse kuduro já esteja mole. Mesmo transgredindo diversos critérios aqui estabelecidos, o funk carioca dificilmente estará fora da festa. Porque a cidade natal pode sobrepor os direitos, nesse caso. Minha sugestão é a norma do proibidão: se tem palavrão, não entra. Regra careta, mas evita a possibilidade de ver a Tati Quebra-Barraco em HD.

Para finalizar, o Índice Criança Esperança. Que consiste em evitar que mais do que 6 artistas do programa fiquem reunidos na mesma noite nos Jogos Olímpicos. O coreógrafo daquilo ali também merece um corte. E o Índice Show para Excitar Gringos. Que nada mais é do que tomar cuidado para que o samba não seja mostrado como um show manjado de mulatas saculejantes.

Temos tudo para fazer a festa mais emocionante de todos os tempos. Basta fugir dos clichês e torcer para que o Michel Teló já esteja excursionando com o Beto Barbosa em 2016. Na dúvida, coloca o Jorge Ben Jor para tocar “A Tábua de Esmeralda” que não tem erro. E que o vento não nos atrapalhe.

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9 pensamentos sobre “2016: Imagina na Olimpíada.

  1. André:
    Enviei o link com o post para todos os redatores e mais um monte de gente aqui na agência (trabalho na Y&R de São Caetano do Sul), e cheguei a receber aplausos por isso. Por uma questão de justiça, uso sua caixa de comentários para encaminhar os aplausos ao verdadeiro dono deles. Maravilha.

  2. Daniell Rezende disse:

    Excelentes os critérios.

    Só acho uma pena que eu esteja cortado da festa. Além dos meus dois Ls (bem mais estranhos os dois Ts e que não trazem lá essa bonança toda), minha música de trabalho rima coração com solidão.

    Se eu, numa manobra ousada, rimar “paixão” com “solidão”, tenho alguma chance?

  3. Fabio Seves disse:

    Fala André,

    Comento ou não comento?

    Porque a dúvida? Pra começo de conversa falar o que você, neste caso eu, pensa é uma insensatez e o paradoxo continua quando a sinceridade é encarada como uma coisa ruim e no fim quem paga o pato é o mensageiro. Segundo, como qualquer baraguinha tá cansada de saber a forma supera o conteúdo , segundo o poeta “beleza é FODAmental”- ou foi o diretor da Playboy?-, e por mais que eu me esforce jamais irei escrever direito ou produzir um texto que respeite as regras vigemtes, a “desculpa esfrrapada” chama-se disgrafia que veio associada com..deixa pra lá. Terceiro, existe a possibilidade de você interpretar como se esse mal versado comentário seja mas do que é, ou seja, um comentário num blog. Quarto, eu sou prolixo e a quem diga pró- lixo ou pro lixo. Além é claro de metido a engraçadinho.
    André, a sacada é ótima e o texto excelete mas infelizmente você parte da premissa errada. Ir bem nas olimpiadas não deveria ser tratado como uma meta a ser alcançada por si só. Ir bem nas Olimpiadas deveria ser uma comseguência natural das condições de vida e oportunidade que o país oferece e jamais deveria ser um esforço para fazer bonito no evento. Essa estória toda me lembra muito a família suburbana que recebe a família rica para jantar e faz de tudo para parcer aquilo que não é. Você lembra do jogo que não acnteceu na Argentina devido a falta de luz? Uma vergonha! Tremendo mico! Para muita gente estava ali um exmplo perfeito do que não deveria acontecer na copa. Bom, no mesmo dia 45 milhões de pessoas ficaram sem luz devido a um apagão no Brasil. Na ocasião foi feito um corte seletivo no sistema para evitar sonre carga. Em português claro na cidade do Rio ficaram sem luz os moradores da Zona Oeste e Suburbio e muitos destes na hora do jogo estvam sem Luz tal qual o estádio argentino. Isso é aceitavel, né?  Do ponto de vista esportivo a idéia é a mesma, você mencionou o Zanetti. Compare o IBOPE da competição dele com a do Hipolito e veras quem a grande esperança era um ilustre desconhecido e quase ninguém viu o moço executar seus movimentos. Eu ele era um marginal por causa do governo, da mídia ou de nós que nunca damos bolas para esses garotos chegados a brincar com a argola? Como exigir do governo investimento no futebol feminino se ninguém quer pagar nem 10 real pra asssistir essas mocas jogando mas pagaria 20 para ve-las peladas na playboy. Eu fico perplexo como não ter ganhado a medalha de ouro desclssifica o Cezar Cielo mas o fato dele ser pego no dopping não. 
    Do que adianta esse esforço todo pra fazer bunito na olimpiada? A olimpiada vai passar…..

    ps. segundo o seu critério o Zanetti poderia subir no palco e cantar junto com o ajorge Benjor?

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