Comodismo também é uma forma de violência

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Começo sem rodeios, de supetão, como o próprio filme. “Whiplash” é um dos mais belos retratos já feitos sobre comando e obediência cega. Agora, estico a mão e alcanço um texto do João Pereira Coutinho que ainda ecoa como os gritos do professor Fletcher. A servidão voluntária é o nome do artigo. Por último, salto para a Experiência de Milgram realizada nos anos 60, em que pessoas comuns seguem ordens de uma suposta autoridade com resultados assustadores. Essas peças serão minha munição. Falamos muito sobre os tiranos e pouco sobre o nosso comodismo. Talvez porque seja a parte que doa mais.

Damien Chazelle, diretor e roteirista de “Whiplash”, buscou no seu passado de músico o tema para expurgar fantasmas. Diz ele: “eu tive um professor muito duro. Eu me lembro de sentir medo na maioria do tempo. E a música parou de ser divertida para mim e passou a dar medo, ansiedade e estresse.” Nessa frase, troque professor por chefe e música por trabalho e o cenário não muda muito.

Há muitos jovens bateristas por aí que também trocam a vida pessoal por “sucesso” profissional. Coloco entre aspas, porque essa medida é sempre questionável. Prêmios? Mais do que o coleguinha ao lado? Enfim, na ânsia de agradarem ao comando, esses talentos abandonam tudo em que acreditam e seguem em solos intermináveis madrugada adentro. Obedecer às ordens do professor Fletcher pode até ter feito de Andrew um baterista melhor. Por outro lado, fez dele uma pessoa pior. O preço do comodismo é alto e o débito surge disfarçadamente. Sem perceber, você vira aquilo que mais abomina.

“Não é preciso lutar contra o tirano para terminar com o abuso; basta que um povo inteiro não colabore mais com a sua própria escravidão.” João Pereira Coutinho vai até o século 16 e resgata o livro “Discurso sobre a Servidão Voluntária” de Étienne de La Boétie. É impressionante como continua atual. La Boétie já indagava sobre a natureza servil de quem se sujeita aos desejos e caprichos de um só homem.

Não me espanto com ideias imbecis. Nem com pedidos estúpidos. O que me espanta são as pessoas que tomam essas ideias como verdade absoluta sem questionar. Ou que acatam qualquer ordem. Essa massa calada é que perpetua a tirania, erguendo nos seus ombros as más condutas de seus chefes.

Andarei na superfície da Experiência de Milgram realizada pelo psicólogo Stanley Milgram. Ele resolveu testar como pessoas comuns foram capazes de ter contribuído para os horrores do nazismo. Para isso, selecionou 40 voluntários e lhes deu o papel de professor. Eles tinham que fazer perguntas a um aluno (na verdade, atores contratados). Se o aluno errasse, eles podiam dar um choque (que eles não sabiam ser falso). Tudo assistido por um cientista que fazia o papel de líder e pedia por punições mais severas. Os coordenadores do experimento acreditavam que apenas 1% do grupo chegaria à voltagem máxima, de 450 volts. No entanto, 65% puniram os seus alunos sem pestanejar.

O resumo de Milgram, segundo o próprio: “a essência de obediência consiste no fato de que uma pessoa se vê como o instrumento para a realização de desejos de outra pessoa, e eles, portanto, já não se veem como responsáveis ​​pelas suas ações.” Não sou eu, é o outro que me pede para ser assim. E, por isso, não sou exatamente culpado pelos meus atos.

No texto anterior, recebi um comentário que dizia que os macacos jovens esperam que os mais velhos façam alguma coisa. E se calam quando nada acontece. Até que um dia, eles também estarão velhos, terão contas a pagar e o sistema continua. Pois bem. Se o que lhe pediram não faz sentido, questione. Se mesmo assim não faz sentido, desobedeça. Tenha na cabeça a cena do tapa na cara do “Whiplash”. Devolver ou não aquele tapa pode ser um bom indicador do seu nível de comodismo. Ou do que você se sujeita em busca de “sucesso”.

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25 pensamentos sobre “Comodismo também é uma forma de violência

  1. Kassu, seu texto me fez pensar que da obediência cega nasce a revolta calada, que somente ganha sussurros de voz nos corredores da reclamação. As pessoas reclamam, clamam por mudanças, mas apenas deixam os dias passarem. Reclamar vira uma fonte de prazer, enquanto o prazeroso deveria ser a transformação. Não é fácil. Desobedecer significa abrir mão. Mas só quando abrimos as mãos podemos receber presentes que nem imaginávamos merecer. Abs, Agnelo

    • andrekassu disse:

      Eu aprendi uma coisa com quem reclama demais. Eles raramente tomam a frente. E se você toma por eles, não pode esperar retaguarda. Porque é sempre muito mais fácil dizer: ah, ele que reclamava.
      Desobedecer pode ser o exercício da contra-argumentação. Se for isso, já valeu a pena. Abraço.

  2. tatiana nascimento disse:

    Outro filme que ilustra bem isso é A Onda. Desobedecer é desconfortável e exige que a gente exponha nossas idéias, nossa personalidade, coisa um tanto quanto rara no mundo pasteurizado de hoje. O diferente hoje é medicado, tratado como “fora do padrão”. Mas. graças a Deus, ainda temos alguns vozes como a sua gritando por aí e fazendo gente como eu se sentir normal. Obrigada.

  3. Excelente. A coragem da simples ação de opinar infelizmente é para poucos.

  4. gprujansky disse:

    Praticamente de todo lugar que fui cortado, foi porque não acatei ordens ignorantes, ou tentaram me obrigar a fazer coisas erradas ou que não concordava. Por mais que você esteja certo, em algum momento o ‘chefe’ deixa de argumentar e utiliza seu poder.
    Quando você é assim, pensante, a melhor coisa é empreender. Porque mais dificil do que empreender é achar um ‘chefe’ que você admira, e que te ouve reciprocamente, onde ambos cresçam. No caso da música – por exemplo, pro cara desenvolver seu próprio método de tocar, tem que em algum momento abandonar o professor.
    O problema é que é difícil andar sozinho em certas áreas. Aí você vê o não-conformado, o inovador, o ‘free-thinker’, por aí, errante, de job em job, incompreendido, não achando seu espaço. Enquanto alguns medíocres se mantém na mesma ‘jaula’ há 20 anos, fazendo mais do mesmo, fazendo o que o chefe mandou, obedecendo regras invisíveis, e pior, ascendendo aos mais altos cargos, e mantendo a massa pasteurizada por muito mais tempo.
    Uma ‘Comodocracia’, onde os mantenedores do status-quo são recompensados, enquanto os inovadores, em muito menor número, apanham. Alguns poucos disruptores destes conseguem crescer no asfalto da ignorância. Seria muito bom se estes lá de cima dessem a mão pros que estão lá embaixo, pois só eles se reconhecem.

    • andrekassu disse:

      O mercado gosta de taxar. Se você discorda de uma ordem imbecil, muitas vezes o imbecil diz que você era intransigente, imaturo, tem dificuldades em lidar com comando. Não podemos esquecer que esse país tem uma origem escravocrata. E que o senhor de engenho ainda é uma figura que nos rodeia. Basta ver o elevador de serviço.
      Do lado daqui, fincamos uma bandeira. E vamos brigar por ela.

  5. […] viaComodismo também é uma forma de violência | André Kassu. […]

  6. ozehfernandes disse:

    Não é o ponto geral do texto mas gostaria de discutir dois pontos:
    1 – Cada vez menos temos mentores, condesação de conteúdo em didádica principalmente nas área subjetivas. Ser autodidata em programação é mais fácil que me literatura ou design. O mentor que já tem um vies e você o escolhe por isso está em falta.
    2 – A cultura oriental possui muito o conceito do mestre e da disciplina e é fato que funcinou por muito tempo lá. Porque essa diferença entre a cultura oriental e ocidental ao tratar o mentor e como o mentor deve se posicionar?

    • andrekassu disse:

      1 – Acredito que sofremos de uma falta de modelo. Eu tive a sorte de trabalhar com o Fabio Fernandes, o Edu Lima, o Marcello Serpa. Não são muitos os caras a seguir, na minha opinião. Até porque a maioria prefere nem ter uma posição.
      2 – Não sou profundo conhecedor da cultura oriental, mas sei que ela se difere muito entre si. Japão e China tem conceitos muito diferentes de hierarquia e comando. Gosto de falar do Japão. É uma hierarquia muito determinada, mas com raízes profundas. Ética e respeito são o norte.
      Na nossa cultura, a brasileira, a herança é escravocrata. É “eu mando, você obedece”. Casa grande e senzala. Elevador social, elevador de serviço. Nesse contexto, toda desobediência pode soar como insulto. Não à toa, temos os juízes que pedem para o avião não levantar vôo porque eles chegaram atrasados. E essa herança ainda se espalha nas relações profissionais. Aqui, o senhor de engenho quer subserviência. Caso contrário, chicote.

  7. Gabriel Lacorte disse:

    “Graças ao fato de não entenderem, conservavam a saúde mental. Limitavam-se a engolir tudo, e o que engoliam não lhes fazia mal, porque não deixava nenhum resíduo, exatamente como um grão de milho passa pelo corpo de uma ave sem ser digerido.”
    1984.

  8. cesarvargas00 disse:

    Mas convenhamos: talvez, no caso desse filme, os fins justificam os meios. No final ele toma as próprias rédeas, dá um tapa e enfia no cú do Fletcher, não? Play the game until it suits you. When you’re powerful enough, change the fuckin’ rules.

  9. Nilo disse:

    André, seu texto chega até a mim, no momento em que me encontro indo para a reserva. Sim, no mesmo dia em que você publicou, coincidiu com o meu último dia de trabalho, porque na segunda-feira seguinte, entrei com o pedido. Escrevo agora, porque ainda estava mastigando suas palavras, por tocarem num ponto em que passei por muitas vezes ao longo da carreira, como todos: dar ou não o tapa de volta? Todas as vezes que dei, achando que teria retribuído a altura, só revelaram ainda mais minha fraqueza e impotência. Sem contar às vezes que não dei o devido tapa, e que os efeitos ainda ecoam (silenciosos) em minha mente, o que acabou por me levar ao conformismo.
    Não acho que Andrew tenha se acomodado e acho que ele deu o tapa no momento certo, senão teria sido como eu, e o tapa inoportuno, mostraria a sua fraqueza diante dos outros alunos, tão desejosos como ele de obterem o poder da fama, mesmo que para isso tivessem que pagar o preço de terem que aturar Fletcher. E isso é difícil. O método Fletcher é terrível, mas levou ao próprio Andrew a chegar aonde chegou. De um rapaz que não tinha coragem de expor seus sentimentos à menina, para o único aluno que ousou desafiar professor. Pode não ter se tornado um Charlie Parker da batera, mas conseguiu se libertar das garras de Fletcher e de quebra, conquistou o respeito. Derrapou no processo ao se tornar uma “pessoa pior”, mas a tempo de perceber o erro.
    Andrew é um aluno jovem que diante de uma turma de experientes alunos e de um tirano professor, se vê “obrigado” a se submeter às torturas físicas e psicológicas, para atingir seu objetivo. Seu pai é um escritor desconhecido e isso também alimenta em Andrew, o desejo de superação. Sabe-se lá quantas vezes o próprio pai e a educação que teve deve tê-lo influenciado ainda mais a se comportar tão passivelmente, assim como os outros, a tirania de Fletcher? La Boétie, em seu texto conclui que: “É natural no homem o ser livre e o quer sê-lo; mas está igualmente na sua natureza ficar com certos hábitos que a educação lhe dá”. No mesmo texto há uma citação de Licurgo que diz: “Os homens são o que a educação faz de cada um”.
    O exemplo dos cachorros é bastante ilustrativo, em seu texto. Voltando a questão e fazendo um link, Andrew não imaginava encontrar em Fletcher o tirano que encontrou e nem se deu conta do quanto estava envolvido, até o momento em que deu “o tapa”.
    Acho que é assim que acontece, nós vamos sendo levados à encruzilhada fatal em que temos que decidir se damos ou não o tapa, mas existem muitas coisas que influenciam, influenciaram e influenciarão nesta decisão, que às vezes pode surgir inesperadamente e instintivamente, mas que sem dúvida, não é algo fácil de fazer.

    Quando tinha uns 8 anos, lembro-me de um dia em que meu pai me pediu para pegar açúcar no armário, para que ele pudesse adoçar um refresco daqueles de pó, que a propaganda dizia não precisar adoçar, pois já continha açúcar. Final da década de 70. Estranhei o seu pedido, pois acreditava no que a propaganda dizia e então refutei: – mas já vem com açúcar. E então ele calmamente repetiu.
    – mas pega o açúcar!
    E eu relutante, insisti.
    – mas já vem com açúcar.
    Foi aí que meu pai deu um grito raivoso, que ecoa em meus ouvidos até hoje.
    – MAS PEGA O AÇUCARRRR!!!!

    Acho que começava ali a minha covardia em questionar qualquer coisa de qualquer representante da autoridade em minha vida. Talvez em outra pessoa, tivesse causado justamente o contrário. Não esperava aquela reação e lembro que chorei muito. Hoje quando conto esta história pra minha filha, ela morre de rir. Mas com o tempo percebi que o que eu não suporto mesmo é o autoritarismo, o que me rendeu alguns problemas na vida de caserna, ambiente muito propício a este tipo de conduta.
    La Boétie, em seu discurso, chegou à conclusão que não é a covardia dos dominados que alimenta o poder do tirano, mas outro vício, o interesse. Vou usar o exemplo os fãs de uma banda de rock, ou de um músico ou cantor. A devoção que alguns fãs, beira a subserviência, outros nem tanto, mas todos o fazem, em maior ou menor grau. E por quê? Porque todos nós gostaríamos de estar no lugar do ídolo, de experimentar aquela sensação de poder e liberdade. E onde seria o melhor lugar que iludidamente nos sentiríamos mais livres? No lugar do tirano, onde todos abaixo de mim me obedecem, só ali posso ser livre.

    “O papel do interesse é certamente importante, pois é a cupidez que conduz cada tiranete a querer a maior parte possível dos ganhos, senão a totalidade. Mas face à impossibilidade real de ser o único tirano diante da massa dos sujeitos querendo igualmente ser o único tirano, cada um é forçado a renunciar a uma parte pelo medo de perder tudo (perdendo, por exemplo, a vida). Um encadeamento se forma então e cada um aceita sofrer um mal para poder fazer mal a outros. Tal cadeia, que se organiza a partir do ideal do ego de todos, engendra o encadeamento dos tiranetes ao qual nem mesmo o Grande Tirano pode escapar, pois tal encadeamento assegura seu lugar. O interesse bem compreendido de cada um aparece assim como movimento do desejo que possui cada um (ou é possuído por ele) de ser o Tirano. Tudo se passa então como se o desejo natural de liberdade transportasse na sua sombra a representação segundo a qual eu sou livre se mais ninguém o é e se todos obedecem aos meus desejos. Tal ambivalência do desejo de liberdade que é, segundo La Boétie, a raiz da igualdade e da fraternidade, mas também do desejo de dominação, encontra-se também na ideia de Hobbes do estado de natureza, um estado de guerra de todos contra todos cuja solução seria o contrato social.”
    Cad. psicanal. vol.35 no. 29 Rio de Janeiro dez. 2013

    Essa liberdade natural da qual La Boétie se refere, só se confirma na medida em que: Eu sou livre se mais ninguém o é e se todos obedecem aos meus desejos. E ele ainda conclui dizendo algo que eu já desconfiava, que o grande segredo do domínio da tirania sobre os povos, não são seus soldados, guardas, arqueiros ou armas, são uma pequena meia dúzia de tiranetes abaixo dele.

    Essa meia dúzia tem ao seu serviço mais seiscentos que procedem com eles como eles procedem com o tirano. Abaixo destes seiscentos há seis mil devidamente ensinados a quem confiam ora o governo das províncias ora a administração do dinheiro, para que eles ocultem as suas avarezas e crueldades, para serem seus executores no momento combinado e praticarem tais malefícios que só à sombra deles podem sobreviver e não cair sob a alçada da lei e da justiça. E abaixo de todos estes vêm outros.
    (Discurso Sobre a Servidão Voluntária
    Etienne de La Boétie)

    Em psicanálise, usa-se o termo: O desejo de um é o desejo do outro (Lacan 1962-1963/2004, p. 32).

    “O desejo do outro na dimensão imaginária

    No sentido imaginário, dizer que o desejo é desejo do outro alude ao fato de que o sujeito não possui uma identidade, sendo necessário então que ele se ampare em algo situado fora de si mesmo, modelando-se à imagem e semelhança de um pequeno outro. Identificando-se a essa imagem, o sujeito poderá doravante extrair certa orientação para sua conduta. O outro servirá como um ponto de apoio, de que o sujeito vai necessitar para saber como deve agir pensar e sentir. Destituído de identidade, desprovido de uma forma, o sujeito vai se escorar em algo que ele supõe ser mais consistente do que ele, na imagem de um outro que o fascina justamente por aparentar a unidade que lhe falta: “A fascinação é absolutamente essencial para o fenômeno da constituição do eu. É na qualidade de fascinada que a diversidade descoordenada, incoerente, da despedaçagem primitiva adquire sua unidade” (Lacan, 1954-1955/1985, p. 70).”

    “Ao afirmar que o desejo é o desejo do outro, a psicanálise ressalta que, mais do que qualquer objeto positivamente buscado na realidade, o que nos interessa é o objeto enquanto sendo alvo do querer do outro. “Eu quero o que o outro quer” querendo dizer “eu quero porque é o outro quem quer”. O que me faz falta é aquilo que falta ao outro.
    Rev. Mal-Estar Subj. v.6 n.1 Fortaleza mar. 2006
    (A angústia como sinal do desejo do Outro
    Rosane Zétola Lustoza)”

    Este pensamente entra em total ressonância com o experimento de Milgram, ou seja, é essa identificação com o desejo do outro, com algo que supõe mais consistente do que ele e que o fascina na medida em que representa algo que lhe falta, que passamos a agir como outro, pois o que me falta é aquilo que falta ao outro. Então se outro deseja que aumentemos a voltagem, os que se identificam com esse desejo, aumentará a voltagem sem questionar, na medida em que se constitui a sua falta. O espantoso nesse experimento, é que os estímulos dados aos voluntários, na condição de professores, não eram propriamente ordens, mas sim apenas informações, que foram tomadas como ordem.

    Em suma, e me perdoe pelo longo texto, mas ele foi necessário, pois, o seu texto provocou em mim uma reflexão destes quase 30 anos de serviço, em que passei por algumas situações que me levaram a ser o que sou hoje. Talvez tenha faltado algo em que eu realmente acreditasse pra poder devolver um tapa na medida, mas chego hoje no final da carreira sabendo exatamente o que quero. Encontrei algo que posso me dedicar com amor e paixão, não tanto quanto Andrew (aliás, também sou baterista), pra não perder o tesão, mas o suficiente pra poder devolver um tapa, acaso seja necessário, na medida certa, a fotografia.

    Abração

    • andrekassu disse:

      Nilo,
      quando a gente escreve, nunca sabe o que esse texto pode causar no outro. A sua resposta é tão profunda que só me resta agradecer.
      Obrigado pela coragem, pelo mergulho e por dividir.
      Um viva para a nova fase da vida. Fotos são lugares que nos acolhem e podemos voltar para relembrar as boas coisas.
      Que assim seja.

      Grande abraço.

  10. Nilo disse:

    Em tempo: Espero que os “Toms” os “Miltons”, com seus sons e seus dons geniais, nos salvem dessas trevas, e nada mais.

  11. Recentemente escrevi um breve texto
    View story at Medium.com
    com minha visão sobre modelo de negócio ainda predominante e que assombra nossos profissionais. Existe um “boom” cada vez maior de insatisfações e sim, reclamações e lamentações a respeito das nossas escolhas de vida. Mudanças de rumo, de posicionamento, de atitude e finalmente, de uma luta contra um comodismo que por anos fez parecer comum coisas jamais vistas em nenhuma outra profissão. Em uma geração onde todos falam cada vez mais com tanta certeza a respeito de qualquer coisa, sinto um cheiro de “basta” no ar. Seu texto, é mais uma prova disso. Afinal, quando o olhar do funcionário é o mesmo olhar de quem já viveu tudo isso sob vários pontos de vista, é sinal de que as mudanças estão próximas. Pois pra mim, não existem culpados, nem responsáveis por encabeçar essa revolta. O que vejo é uma profissão adoecida, cuja cura começou a ser caçada.

    • andrekassu disse:

      Eu acho que estamos chegando no limite. E sou apenas uma das vozes que levanta essa questão.
      Se hoje um curso sobre felicidade em Harvard é um dos mais disputados, algo relevante está acontecendo.
      O que não pode é reclamar sem se mexer.

  12. Na publicidade, acha que o cenário é ainda mais competitivo, por conta da crise que estamos atravessando? Talvez hoje esse medo de perder o emprego aumente um pouco a coragem de muitos em sair da sombra.

    Abraço e sou seu fã. Seu, do Serpa, do Ricardo, do Luizinho e de toda a Almap.

  13. É o famoso “eu estava apenas seguindo ordens”.

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